Quando os cabelos de um homem começam a cair, automaticamente surgem opiniões diversas sobre qual deve ser o motivo que levou à queda. Uns dizem que é stress, outros que é má alimentação e ainda há os que dizem que é a famosa “careca” chegando, visto que o pai ou avô da pessoa em questão também perdeu os fios.

A hereditariedade de fato pode influenciar nesse processo, mas são os genes do indivíduo que irão determinar se ele irá ou não ficar sem cabelos. Portanto, está certo quem diz que a genética é o principal motivo, e não é à toa que a calvície é cientificamente conhecida pelo nome de alopécia androgenética.

Mas essa relação entre uma coisa e outra não é tão simples quanto parece. O simples fato de herdar um gene, por exemplo, não necessariamente pode levar à calvície e, nesse caso, a pessoa pode sim vir a ficar calva devido a hereditariedade.

Relação genes X calvície:

Por muito tempo acreditou-se que a calvície era resultado de um fator puramente sexual, ou seja: se manifesta em homens e não em mulheres. Esse imaginário tinha como seu principal argumento o fato de que os genes apresentam-se em cromossomos autossômicos, conhecidos como não sexuais. Porém, como sugerem pesquisas citadas em alguns artigos, sua forma de se expressar é potencializada pela testosterona, fazendo com que sejam dominantes no organismo masculino e considerado recessivo no feminino, que possui o hormônio em questão em menor quantidade e, portanto, também é alvo de queda drástica.

Nesse contexto, teoricamente um único gene para a calvície é suficiente para levar um homem a perder todos os seus fios, enquanto que nas mulheres isso só é possível se ocorrer o aparecimento do gene no formato conhecido como homozigose.

Já uma outra pesquisa, igualmente sem fontes confiáveis, sugere que a calvície na verdade ocorre através de um fator poligênico, que é quando ocorre a “herança” de quatro ou mais genes. Nesse caso, o único consenso presente nas duas teorias é o referente à forma como a alopécia androgenética atinge homens e mulheres, obtendo um padrão no primeiro caso, tendo início sempre nas famosas “entradas” e ocorrendo sem um padrão específico no segundo, mas dificilmente atingindo a parte frontal da cabeça.

Opinião Médica:

O dermatologista Valcinir Bedin afirma que de fato a calvície ocorre a partir da herança poligênica que pode vir não só dos pais, o que também inclui a mãe, como também dos avós, e alerta que existem casos de pessoas que notam os primeiros sinais de queda até mesmo aos 15 anos de idade. Os demais dados apresentados por ele também não são animadores para o público masculino, mas mostram que, com o passar do tempo, as mulheres podem vir a sofrer mais com o problema.

Segundo a Sociedade Brasileira para Estudo do Cabelo, a calvície já atinge 42 milhões de homens, e a Organização Mundial da Saúde complementa informando que metade da população masculina do planeta irá sofrer com algum grau dessa disfunção até atingir 50 anos de idade. Mas, para as mulheres, as notícias também não são animadoras.

Mesmo que não sofram diretamente devido a presença em menor quantidade da testosterona, já existem pesquisas apontando que a tendência é de que o número de caso de mulheres com diminuição de fios aumente 10% ao ano por problemas diversos, como estresse. Embora esse aumento nas quedas não possa ser chamado de calvície, não deixa de ser preocupante a ponto de, aos poucos, mudar a visão de que somente os homens perdem drasticamente o cabelo com o passar do tempo.

Mas a relação entre a calvície e genética, no geral, ainda possui muita coisa a ser explorada. E você, acredita que é algo hereditário ou que depende dos genes?

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